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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Povo destrói Guebuza

Desde a manhã de ontem que vários bairros da cidade de Maputo e arredores viveram um abalo sísmico social ou um "sismo" social como apelidou o Sociólogo Carlos Serra.
Nisso, hoje, o Governo sai trazendo o cardápio para as próximas horas das quais: limpeza e retirada do lixo das artérias da cidade para que amanhã a vida torne à normalidade. António Munguambe, Ministro dos Transportes, diz: "Iremos tomar em consideração as preocupações das populações e a dos transportadores. Este foi sempre um país de paz e tranquilidade, se o que se verificou tinha como pretexto o aumento da tarifa dos transportes, não vemos o motivo de removida a tarifa continuarem as manifestações. Acresce que o seu é um Governo do Povo para o Povo". Belas palavras estas, mas a realidade mostra que o pão, alimento primário para os moçambicanos, custa neste momento 5,00Meticais. A verdade é que este Governo demitiu-se das suas responsabilidades, como bem frisou o Porta-Voz do Partido RENAMO. O salário mínimo está aquém das necessidades básicas das populações, ademais que o índice de desemprego em Moçambique é vergonhoso para um Governo que se diz do Povo, mas que preocupado com os mega-empreendimentos. A meu ver, desde as explosões dos Paiois que se abriu uma brecha. As vítimas não foram ressarcidas, pois o mesmo Governo, o da Frelimo, atribuiu culpa, das explosões, ao calor daí ter dado um "apoio".
O Sociólogo Carlos Serra trouxe uma cronologia, destes acontecimentos, única e promete um estudo do caso como se pode ler no seu Diário.
Acabo de receber um telefone que dá conta de que em Magoanine apenas um chapa está a circular, mas que termina o seu trajecto em Xiquelene, um dos bairros periférico de Maputo, onde há dificuldades de transporte até ao momento. Manteve-se o preço anterior dos transportes, mas a realidade é que não há chapas nas ruas o que frustra aos populares ansiosos de retomar suas actividades quotidianas.

Povo destrói Guebuza
A mensagem que circula é de que o sofrimento é demasiado. Filhos de Ministros, Deputados e de outros Governantes não andam de chapa e estes estão cada vez mais caros. A subida do preço do pão e dos transportes indigna as populações. No rol dos estragos, o noticiário da STV, mostrou uma escola que tem o nome do Presidente de Moçambique, Armando Guebuza, e esta escola que foi inaugurada a sensivelmente um ano conheceu estragos consideráveis. O mesmo canal entrevistou uma das testemunhas oculares que revelou que os populares gritavam o nome do Presidente da República enquanto destruíam a escola que como referi ostenta o nome de Guebuza.
Esperemos que este remoínho: população versus Governo da Frelimo termine o mais breve, pois agora o braço de ferro é também entre os transportadores e o mesmo Governo que em três dias diz trazer novos dados. Uma vez que os combustíveis continuam com preços altos e a tarifa a cobrar aos utentes dos transportes de passageiros é o que vigorava antes da subida dos combustíveis.
Ivone Soares

16 comentários:

Nelson disse...

Oh Ivone, postei a dia no meu blog algo sobre semelhanças e diferenças entre Moçambique e Quénia(vale a pena conferir). Baseando-se na resposta que o presidente Gebuza dera numa entrevista em comentário à situação do Quénia. Quero concordar com quem fala "de "limites da paciência" por parte do povo. Oque me intriga é como o governo subestima o povo. Como não "lê" os tantos "sinais" de insatisfação popular. Será por estar demasiado desligado/distanciado da situação popular ou por uma cruel insensibilidade que se "ignora" o resultado de algumas medidas tomadas lá no topo. Agora o povo aprendeu que "criança que não chora não mama". Aprendeu que "governo não gosta de barulho". O povo aprendeu a "mexer no remoto control" e a "mudar de canal" o futuro é assustador.

Ivone Soares disse...

Nelson, eu diria que o futuro é promissor. Estou vindo ao Chiveve. Estarei ausente por uns dias. Um abraço e obrigada pela análise. Prometo ler, assim que puder, as tuas novas postagens. Um abraço,
Ivone.

Anónimo disse...

"Assustadoramente promissor" Ivone, mas tenho muita fé nesse futuro que tem de ser diferente.

Nelson-Chiveve

Bayano Valy disse...

como diziam os outros: o povo grita embora que sem nada no bucho

luma disse...

Espero que tudo acabe bem por aí! Torcidas do Brasil! Beijus

chapa100 disse...

ivone, qual e a "ideia" da renamo sobre o sector dos transportes? a renamo nao pode acomodar-se na critica ou em reacoes evasivas, a oposicao parlamentar tem responsabilidade politica sobre algums accoes do estado.

Dede Moquivalaka disse...

Oi Ivone, ouvi que te viram, ou seja, te conheceram de "CARNE E OSSO" recentemente. Aonde isso? De noti'cias suas! Um bom fim de semana.
No entanto, quria corroborar com o Chapa100 para chamar atencao sobre esta questao de a Politica da Renamo nos transportes ser omissa. Ninguem sabe o que a Renas vai fazer neste campo quanto esse futuro, nas palavras do Nelson, "assustadoramente promissor" chegar. Nao repitamos os erros da Frelimo de 1975, gente!

Nelson disse...

"Oi Ivone, ouvi que te viram, ou seja, te conheceram de "CARNE E OSSO" recentemente. Aonde isso?"

Beira, manhã de sexta feira e o privilegiado fui eu. Como disse C.Serra, da Web se chega a vida real.
Bom final de semanas para todos.

Reflectindo disse...

De facto eu acho e como sempre eu quis dizer em directo, neste momento, a responsabilidade da Renamo é de apresentar por escrito, o seu programa em vários sectores, e, não menos no de transportes.
A Frelimo falhou no total e cada vez mais está a dar uma grande chance à oposicão para alterar a situacão em Mocambique. Só veja-se esta resposta que o governo da Frelimo dá depois das manifestacões. Qual é a sustentabilidade de subsídio aos chapeiros de Maputo? O país está em total crise de governacão

david santos disse...

Olá, Ivone.
Que esta pequena amostra seja mesmo isto: amostra.
Pois, caso não seja, devemos olhar para o que se passou e o que vai passar em França.
Espero que em Moçambique tudo volte à normalidade.
Abraços.

Dede Moquivalaka disse...

Meu ponto de vista dominical, Ivone:
Fúria popular sob pano de uma política de transportes ausente!

Super terça-feira, 5 de Fevereiro em Moçambique, mostrou, afinal que um povo quando se zanga, não há força que pode o parar. É indomável. O povo tem ainda as chagas de anos de abusos, por um regime, essencialmente, tirano e anti-democrático, da Frelimo. Que ninguém tenha dúvida que o golpe de resistência que o povo desferiu, de forma contundente, deu para a Frelimo ser apanhada de ‘susto’ [como disse o ministro dos transportes], entrar em pânico, rodopios desnecessários, e em ‘delírio’, a medir pelas contra-respostas que foi, amiúde e rapidamente emitindo, através dos mídia que domina, a TVM, RM e Notícias, após um mutismo, que, diga-se de passagem, lhe foi lisonjeiro. O mote e fito, deste mutismo, se calhar, podia não se resume apenas numa manobra antiga da Frelimo de ganhar tempo, mas podia também não ser de re-estudo da situação para o reajuste das suas tácticas anacrónicas, de surpreender e de chamar a si a vantagem, se quiserem, a mó de cima. Tudo caiu. A Frelimo não tinha ‘inteligen-z-ia’ [informação] em sua posse e nada fez para prevenir nada.

Afinal quem tinha estudado e feito o TPC, como se impõe, foi a população, e montou a sua estratégia de luta farta de engolir ‘sapos vivos’ [como os chavões que foi nos dado a ouvir do nosso Ministro dos Transportes [Dr. Munguambe] a dizer que o seu “governo é do povo para o povo”]. Aí, que a Frelimo aprenda de uma vez por todas, o segredo é alma de negócio. Os senhores não tiveram acesso ao segredo que resumiu no ‘passa a palavra’. A capacidade de mobilização [por SMS] e organização, em curto espaço de tempo, foi, ademais, extraordinária. Como foi então que o povo operou a manifestação?

Primeiro, a anteceder a super terça-feira, [Governo andou à sexta] circulavam comentários e informações de uma situação explosiva de que estávamos a viver, sobretudo devido a falta e o encarecimento dos transportes e comida [pão]. Fazendo ouvidos de mercador, a Frelimo avança com acordo fatídico, que anunciava o aumento dos preços do Chapa e do Pão em quase 50% a 100%. Isto em plenos festejos do dia dos heróis da Frelimo.

Ora, todo este conjunto de factores mediatos e imediatos, lançaram ao ar um sinal inequívoco, de que o espaço de negociação com os sindicatos e da reversão destes aumentos estava encerrado, e nada havia para população, senão seguir à risca o decidido. Qual quê! Para ela [a população] nada restava se não sair a rua, protestar, lutar, exigir, suplicar, fazer ouvir a sua voz aos que assumem os “cordelinhos do poder” quer na chamada Ponta Vermelha, quer no edifício do ex-Cinema São M.; e ao judiciário [que anda à leste, em momentos históricos como estes].

Agora, sobre os métodos de luta. Ouvi e li de certa imprensa, sobretudo aquela ligada ao Governo do dia, a chamar aos participantes nesta revolta popular de insurrectos, vândalos, que são movidos por móbil externo, sem no entanto, especificar qual, dada o ‘sono’ da nossa tristemente famosa SISE [SNSP], pois não foi capaz detectar nada que fosse, até que a manifestação tivesse lugar.

Vergonhosamente, só depois da revolução ter tido lugar, um dia depois, é que se notam os blindados e tropas de elite [FIR], a se dirigirem aos pontos chaves da cidade de Maputo, que, por sinal, já tinham sido tomados pelos manifestantes dia anterior e fizeram estremecer o poder. O povo só não foi aos pontos estratégicos dia seguinte, não porque teve medo da polícia política, nem da tropa de elite, nem ainda ao vocifero apelo e promessas de uso de força do Sr. Vice-ministro do Interior. Mas sim, porque a Frelimo baqueio, se rendendo e, por via disso, anunciando aquilo que as população queriam, que ela dissesse: Manter o preço dos transportes e pão. Foi o que aconteceu

Enfim, foi uma vitória do povo sofredor. Um povo que consente esforços, mesmo com salários que não servem para nada, tentar alimentar os seus filhos, tentar educá-los através dum sistema formal caro e corrupto, tentar ter os serviços de saúde cada vez mais elitizadas com pouco a oferecer ao mísero povo.

Não seria justo terminar este ponto de vista, sem dizer que é momento da Frelimo acordar e tomar as suas responsabilidades. É MOMENTO de fazer um exame de consciência sério sobre o que está falhar no País e endireitar enquanto é tempo [será que a Frelimo tem tempo mesmo para rectificar os erros que cometeu, já a contornamos a curva do 3 ano de governação desastrosa?]. Temos que ter uma POLÍTICA DE TRANSPORTES. Como Estado e como Governo, temos que defender o consumidor e não os interesses comerciais absurdos.
*Dede Moquivalaka

Ivone Soares disse...

Agradeço todos comentários postados na minha ausência, infelizmente não pude responder antes. Essa idéia de querer ganhar dinheiro aumentando os preços dos produtos mais consumidos levará a concretização da queda deste des-Governo que aumenta os preços a torto e direito penalizando assim o povo. Esta guerra que a Frelimo trava contra o povo é descabida. Que combate a pobreza absoluta é este? A vida do cidadão comum fica destruída, estes sem dinheiro para custear despesas de transporte para chegarem aos locais de trabalho, as empresas gozando da falta do seu pessoal, o que poderá ditar falência, propositadamente, provocvada pelos aumentos descabidos que este Governo inventa na sua tentativa de manter a pobreza absoluta. Em tempo oportuno irei postar algumas idéias que o próximo Governo, o Governo da RENAMO, defende.

Anónimo disse...

Sigo as ideias dos que me precederam neste espaço. é hora de a Renamo lançar sobre a mesa o trunfo,o às na manga, não com manifestações mas com atitudes inteligentes , apresentando o seu programa e soluções para os problemas mais prementes que afectam o quotodiano do cidadão. Apesar da censura, apareçam, falem , escrevam, digam as alternativas que têm que o povo vos escutará. Não deixem escapar este momento, na política, no jogo democrático que pretendemos ver implantado no país, é assim ; as fraquezas do adversário devem ser aproveitadas para dar a volta por cima.

Ivone Soares disse...

Muitissimo grata fico pelo seu comentário. Teremos em conta suas palavras. Aquele abraço que uso mandar"democrático". Ivone Soares

Anónimo disse...

Suponho que deva estar muito ocupada mas é importante que actualize a sua página. Estamos e atravessar momentos um tanto ou quanto conturbados no país e o seu portal deve ser uma referencia para o debate de ideias. de igual modo, a página do Partido Renamo está atrasada uns bons meses. nao niglegenciem este novo meio de comunicação.Coloquem -no dentro das vossas inumeras prioridades.

Ivone Soares disse...

Tem muiota razão ilustre anónimo. Prometo postar urgentemente. E não é por falta de assunto, andei mesmo apertada com algumas coisas. Mas tem mesmo razão quando diz quão importante é actualizar as notas que aqui deixo. Um abraço,
Ivone

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