"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las!"
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Segunda-feira, Novembro 01, 2010

...«neste nosso país, existe uma prática de exclusão social».

Senhora Presidente da Assembleia da República
Excelência,

Saúdo a Sua Excelência Presidente Dhlakama por ter levado avente o seu sonho de juventude compartilhado com seu irmão de trincheiras André Mathade Matsangaíce, que pereceu em combate pela democracia multipartidária.

Saúdo ao Reitor da Universidade A Politécnica por ter sonhado a expansão do ensino superior privado, tendo a ex ISPU completado 15 anos comprometida com o humanismo, rigor e profissionalismo.

Saúdo igualmente a todo o povo moçambicano, em particular ao povo da Zambézia, meu circulo eleitoral.

Excelência,

Esta sétima legislatura, cujos trabalhos começaram no início desta semana, com a solenidade habitual tem uma carga histórica e emocional que não podemos, nem devemos, ignorar. Há pouco menos de um mês atrás, o povo veio para a rua contestar as políticas deste governo da Frelimo. A mensagem foi clara e inequívoca: os moçambicanos disseram basta, face à política arrogante e cega que levou ao aumento do custo de vida de uma forma abrupta e desmesurada! O nosso povo protestou conforme sabe e conforme pode. A Frelimo tudo controla, tudo quer mas, afinal, como se provou, tem as mãos cheias de nada! Tanto prometeu ao povo nada deu!

Senhora Presidente da Assembleia da República,
Prezados Colegas,
Excelências,

Foi-me colocado nas mãos o mandato de representar os jovens no âmbito do Gabinete da Juventude Parlamentar da Assembleia da República. Tenho, por isso, a obrigação redobrada de falar e defender os interesses dos jovens moçambicanos. Muitos desses jovens participaram nas manifestações de 1 e 2 de Setembro. Alguns caíram perante a violência das forças da ordem que têm precisamente a obrigação de nos proteger a todos. Às famílias enlutadas, ao feridos, dirijo uma palavra de conforto e de compreensão pela perda dos entes queridos, pelo sofrimento desnecessário, pois se este governo da Frelimo tivesse sido capaz de dialogar com o seu povo a quem publicamente designaram como “vândalos, bandidos e arruaceiros” não se teria chegado a tanto.

Senhora Presidente da Assembleia da República,
Prezados Colegas,
Excelências,

Poucos dias antes de esta sétima legislatura ter tido início, estive reunida com perto de uma centena de jovens do ensino secundário e universitário, num debate aberto que durou várias horas.
O objectivo foi ouvir o que vai na alma destes nossos jovens. Quis saber, em primeira mão e de viva voz, que ideias, que sugestões e que perguntas tinham para apresentar através desta sua representante nesta Casa.

• Os jovens lamentaram o facto dos governantes deste país terem um discurso falacioso, de estarem sempre a prometer muito e a cumprir pouco como o fizeram hoje.
• Falaram das suas grandes dificuldades de acesso ao emprego desmentindo o discurso que hoje o Governo apresentou.
• Referiram a existência de uma excessiva burocracia e do apadrinhamento que tem estado por detrás das vagas a que têm concorrido para tentarem aceder a diversos postos de trabalho.
• Outros mostraram-se desiludidos, porque estão formados e não tem colocação. Contaram-me o caso específico de um grupo de jovens professores de inglês, a quem foi prometida colocação e que, até hoje, alegadamente por falta de orçamento não estão a leccionar.
• Um grupo disse que, 36 anos depois da criação das forças de Defesa de Moçambique se eternizou-se uma situação em que os jovens tem que cumprir o servico militar obrigatorio e que, no entanto, terminada a sua comissão de dois anos,são demobilizados sem condições de emprego,jovens que estão treinados no manuseio de qualquer tipo arma. A questão que me foi colocada foi: “Não estará o governo, ao abandonar estes ex-militares, a fomentar o crescimento do índice de criminalidade?”
• Sem excepção, falaram bastante da questão do custo de vida, que está insuportável para as suas magras bolsas, pondo em causa a sua subsistência. Muitos não esconderam que os seus pais – aqueles encarregados de educação que ganham salário mínimo – não estão em condições de pagar livros para todos os filhos que querem estudar.

Senhora Presidente da Assembleia da República,
Prezados Colegas,
Excelências,

Neste nosso país, existe uma prática de exclusão social: as oportunidades de emprego e as bolsas de estudo vão prioritariamente para as mãos de membros da Frelimo. Os jovens são apenas manipulados durante as campanhas eleitorais, aliciados com T-shirts e bonés da Frelimo para depois serem abandonados a promessas vazias.
Os intereses dos jovens têm que ser respeitados e o governo deste país tem a obrigação moral e histórica de adoptar politicas concretas no sentido de minimizar o sofrimento de toda a juventude, independentemente da sua filiação partidária.

Este governo tem que deixar de usar verbas chorudas para fins de mera propaganda, apenas para dizer ao mundo que está a combater a pobreza. Este governo da Frelimo tem que começar a ouvir o povo e deixar de esbanjar dinheiro que poderia ser utilizado para combater a fome, construir escolas.
A pobreza não se combate com palavras, quando a bolsa de desempregados aumenta e o Estado continua a ser o principal empregador! Um empregador que só favorece a quem se inscreve no partido Frelimo, conforme já aqui ficou provado!
Porquê não se reduzem os helicópteros que andam com o chefe de Estado?
Porquê não se reduzem os carros que andam com a Primeira-Dama quando faz os seus serviços sociais?
Este governo tem que definir e cumprir prioridades, sem ignorar os jovens.Sobretudo os jovens à procura do primeiro emprego, da primeira habitação! Sobretudo nas cidades, começar a vida para os jovens é uma miragem, porque, o preço das rendas das casas, lhes é absolutamente proibitivo. Porque não existe uma política de apoio à compra de habitação, com juros bonificados para uma camada populacional que sem incentivos não consegue estabelecer uma vida digna para si e para as suas famílias.

Senhora Presidente da Assembleia da República,
Prezados Colegas,
Excelências,

Os jovens são parte importante da equação quando se trata de resolver os problemas desta nação. Eles são a maioria, são a nossa força e a nossa esperança! Se quisermos um futuro justo e seguro para todos não podemos ignorar os nossos jovens! Os jovens são o futuro de Moçambique, mas este país não terá futuro se os nossos jovens não tiverem um presente edificado à medida das nossas mais arrojadas aspirações!

Para terminar, dizer que o povo sabe quem são os ladrões, corruptos, saqueadores dos bens públicos.
O povo sabe quem os empobrece. Quem retarda o seu desenvolvimento.
O povo sabe quem dá o dito pelo não dito.
Ontem, queriam cobrar-nos 5 meticais para os utentes dos serviços pré-pagos e 30 meticais para os contractos da Mcel e Vodacom. Hoje, recuam procurando culpar os dactilógrafos. Sempre culpam a terceiros. Reconheçam que andam desnorteados.
Não roubem os nossos votos!
Ensinar-vos-emos como desenvolver Moçambique.
Aceitem a vontade popular. Deixem-nos governar-vos para não andarem a deriva, sem políticas claras e sem programa exequível.

Muito Obrigada!
Deputada Ivone Soares

Maputo, 20 de Outubro, 2010.

2 comentários:

  1. Festas Felizes e Feliz Natal, para Ti e pro Tio Afonso Tambem.

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  2. " Os políticos e a as fraldas são semelhantes , possuem o mesmo conteúdo "(Eça de Queiroz)

    ResponderEliminar

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